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OPINIÃO

Progressismo

17 | 03 | 2011   20.52H
J.L. Pio Abreu

No tempo em que lutávamos contra a ditadura, as forças de esquerda também se chamavam progressistas. Acreditava-se então que o progresso traria a democracia, que o desenvolvimento científico e tecnológico seria colocado ao serviço dos humanos, que o desenvolvimento económico faria os povos mais livres e cultos, e que estes tenderiam a organizar-se no respeito pelos seus semelhantes e pela própria natureza.

Não tínhamos previsto que tudo evoluísse muito mais depressa do que a capacidade de adaptação humana. Que os humanos ficassem limitados pelas suas línguas e culturas, enquanto a globalização criaria um conjunto de líderes mundiais apenas preocupados com o seu proveito. Nos mercados, com a sua especulação, na destruição da natureza que tentavam transformar, no imediatismo da procura de energia barata.

A submissão da política aos mercados financeiros globais, a criação de maiores assimetrias, as ditaduras feitas pela posse dos bens estratégicos, a revolta dos povos e as guerras civis, os desastres ecológicos e a explosão das centrais nucleares são hoje a consequência desse progresso de tal modo acelerado que não teve tempo de ser pensado.

O mundo está trágico e caótico, apelando a que este progresso pare um pouco. Chegou-se ao fundo dos átomos e dos genes, mas aqueles que os manejam não ultrapassaram ainda a vivência tribal. Neste estado, o único progresso que faz sentido é o da fraternidade humana. Da cultura, do amor, da compaixão.

© Destak

15 comentários

  • gulosamente primitivos!
    Sérgio | 19.03.2011 | 20.31Hdenunciar comentário
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  • Caro autor: Os meus parabéns por este artigo!
    Raquel Lopes | 18.03.2011 | 21.44Hdenunciar comentário
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  • Dr. Abreu: o seu artigo é a expressão da realidade em que a maior parte da espécie humana vive, derivado à ambição desmedida de uma minoria de priveligiados que vive na opulência e de barriga cheia. Eu próprio fui vítima desta globalização, pois fui usurpado dos meus bens em África - onde nasci em 1935 -, avaliados hoje em cerca de 5 milhões de euros, conseguidos com muita trabalho, vivendo hoje sem qualidade de vida com uma pensão de 385,00 euros. sem poder ajudar 4 filhos, 7 netos e 4 bisnetos que tiveram em parte que emigrar para sobreviverem. Obrigado pelo seu artigo. R.S.
    Rui Serrano | 18.03.2011 | 17.30Hdenunciar comentário
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  • O capitalismo selvagem impera e os dirigentes Europeus não se consciencializam que nada evolui sem o Homem em si … Enfrentando a contradição explanada... temos a sociedade de abundância Versus o empobrecimento da alma ... Na Divina Comédia de Dante o autor reflecte começa a sentir piedade dos homens e mulheres, estes contorcendo-se de dor... A força do dinheiro torna-se um problema e persegue ao longo das vidas e exerce uma pressão enorme que à sua maneira é tão poderosa e insistente como qualquer problema da existência humana ... condicionando-a... o reino do ser que definha ...porque as nossas formas de relacionamento com a natureza, saúde, doença, educação, artes, justiça social, estão cada vez mais invadidas pelo factor dinheiro... As malhas, com quais a tecnologia faz penetrar na nossas vida as energias e matérias da natureza podem ser bem vistas como algemas que nos prendem e tornam indispensáveis muitas coisas que podiam e deviam mesmo ser dispensadas ..colocando no fundo a sociedades à parte...É o dinheiro é o que todos querem... A cultura moderna na importância que se dá ao instrumento do dinheiro epitomiza a atracção pelos meios e instrumentalismos... O Progressismo .. a que assistimos é meramente a tecnologia sem ética que é resultado do conhecimento sem desenvolvimento do instrumento de percepção ética, os sentimentos ... Conhecimento sem sabedoria ... no entanto é importante perceber que é mais importante sentir aquilo que se conhece, mesmo que seja só uma coisa, do que conhecer com a cabeça apenas, uma massa de teorias e factos... Fizemos muitos progressos em relação ás culturas antigas, mas esquecemos este aspecto... Quando se conhece apenas com a cabeça e não se integra nesse conhecimentos os sentimentos estão estamos defronte de um saber prejudicial para a Humanidade... Como disse alguém há muito..." o espírito é para ver o que é verdadeiro; os sentimentos são para compreender o que é bom"...
    Marluz | 18.03.2011 | 14.58Hdenunciar comentário
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  • A União Sovietica, sem mercados, sem capitalismo e por isso sem empreendedorismo nem nível e qualidade de vida, foi responsável por mais catástrofes nucleares do que o resto do mundo. Até com a ganância de produzir algodão no vasto deserto do Turquestão soviético, fizeram canais de irrigação que desviaram os caudais do Sirdaria e do Amudaria e com isso fizeram secar um mar, o Mar de Aral, hoje em dia um rasto de morte e sal sob o sol quente do deserto, onde aqui e ali se vê um esqueleto de um navio abandonado a enferrugar. A soviética Chernobil foi outro belo exemplo de sapiência ecológica e ambiental das sociedades comunistas, anti-mercado. O cemitério nuclear de Murmansk, no norte. é outro exemplo de consciência ambiental comunista, residuos nucleares da marinha soviética a perder de vista, inundam a paisagem gelada e triste. Realmente não há sustentabilidade e consciência ambiental como aquela onde a Bolsa de Valores não existia, o empresário era apenas uma personagem literária, e o mercado só tinha uma única marca, a marca do Estado Soviético.
    JM | 18.03.2011 | 14.52Hdenunciar comentário
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  • Muito tem de ser repensado. Nem sempre o que parece é. O Heidegger tem um conceito para esta relação entre "espaço" e "ser" que vale a pena ser repensado á luz da globalidade e do viver moderno, Dasein . Limitamo-nos a morrer um pouco , todos conscientes de que a morte é um limite próximo . O peso da imagem ,do riso que nos distancia do "real" e que nos manipula interiormente,a fractura entre os nossos ideais e a "verdade", a forma como a hipocrisia e os interesses substituíram a diplomacia ,as novas de censura política muito mais cruéis e desalmadas que as do antigo regime, os novos líderes de opinião que nos massacram,as encenações para fingir diferenças ,tudo nos transporta para os "tempos modernos"
    josé joão louro | 18.03.2011 | 13.24Hdenunciar comentário
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  • Este é verdadeiramente o amigo que eu conheço desde 66...Plenamente de acordo...A chamada ciência política devia ser liberta dos condicionamentos financeiros.Era esse o nosso sonho, mas temo mt pelo futuro dos meus filhos...
    maria cecília louraço | 18.03.2011 | 12.06Hdenunciar comentário
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  • Ninguém sabe. Já foram pedidas explicações mas não há resposta, PRECISO DE SABER. Cada vez mais gente começa a achar que certos textos deste jornal podem estar a ser escritos por terceiros com intuitos definidos e depois simplesmente associados ao nome de colaboradores. Para "moldarem" a opinião pública valem-se de tudo, a perversão para muita gente não é qualquer problema, mas uma ferramenta para atingirem os seus objectivos. Há que lhes voltar a fazer a pergunta! Afinal, senhores do Destak, de quem era o texto apresentado neste jornal com o título "Fantasia Lusitana"?
    AUTOR? | 18.03.2011 | 10.22Hdenunciar comentário
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  • SERÁ QUE ALGUÉM ME PODE ESCLARECER QUEM FOI O AUTOR DO TEXTO FANTASIA LUSITANA??
    PRECISO DE SABER | 18.03.2011 | 07.15Hdenunciar comentário
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  • Sim Senhor . . . !
    Caro JLPA . . . !
    Mas o outro também diria . . . !
    BEM PREGA FREI TOMÁS . . . !
    alexandre barreira | 18.03.2011 | 07.10Hdenunciar comentário
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  • Completamente de acordo. O capitalismo selvagem e global ira destruir a humanidade e o planeta...
    "Eles comem tudo, eles comem tudo e nao deixam nada"
    "Vos que la do vosso imperio, prometeis um mundo novo, calai-vos que pode o povo, querer um mundo novo a serio."
    Neste Portugal de agora nao corremos o risco se revoltas e guerras civis. Somos todos carneiros alinhados, cobardes e fanfarroes fala-barato. E so garganta. O pior sera se um dos sapos que temos de engolir nos asfixiar.
    BOA MEMORIA | 17.03.2011 | 22.54Hdenunciar comentário
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  • Se esta crónica de hoje já é sua, direi: "boa Pio Abreu"! Partilho da impressão e da mesma apreensão. Apercebo-me também que, ao contrário do que toda a propaganda progressista nos fez crer nas últimas décadas, a subida ao poder do espírito financeiro puro e duro foi como levar a grande parte do nosso ocidente ao estado de uma alucinação colectiva capaz das mais idiotas decisões, no convencimento de que de facto pode ser senhor do mundo. A urgência progressista servia, afinal, como uma espécie de estratégia de alguns para não conceder esse tempo essencial de reflexão às pessoas. A tomada de poder por parte dos "financeiros amigos do progresso" teria de ser rápida, para atropelar qualquer reacção dos cidadãos, pois o objectivo era escravizá-los através da promoção da própria liberdade. Que melhor maneira poderia haver de escravizar alguém que a de convencê-lo de que os passos que dava eram na direcção de ser livre? Onde esteve a perspicácia das pessoas de bem, dos estudiosos, dos informados, dos criadores de opinião, para não terem sequer percebido a subtileza do processo? Há um ano, os donos do dinheiro já faziam ajoelhar a maioria dos Estados através de um simples processo de cotação externa das suas "capacidades". Eles classificam, eles controlam. Hoje, já não é só nos Estados que eles interferem e classificam, mas nas empresas de um país. Para quando a classificação das próprias pessoas desse país? Não duvide que tudo está a ser bem planeado para que esse objectivo possa ser atingido. Temo pelas nossas crianças. É triste, faz-nos pensar, a "democracia" começou já a ser dada ao povo como um ópio.
    DIRECT DEMOCRACY PLEASE | 17.03.2011 | 22.51Hdenunciar comentário
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  • Inteiramente de acordo. Com excepção da última frase, subscrevo. Por um lado, há muitos mais valores a defender (tanto ou mais importantes) e por outro lado o amor e a compaixão parecem-me um pouco contraditórios ou, até, antagónicos. Onde existe o primeiro, o segundo não tem lugar.
    FIFI | 17.03.2011 | 22.44Hdenunciar comentário
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  • Nada de novo! Há 2000 anos atrás alguém disse exactamente o mesmo...
    RT | 17.03.2011 | 22.23Hdenunciar comentário
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  • Grande artigo, caro Doutor!
    Estou plenamente de acordo consigo e atrevo-me a subscrever em absoluto o seu último parágrafo.
    Obrigada por partilhar connosco estes seus pensamentos!
    Vitória de Samotrácia | 17.03.2011 | 21.49Hdenunciar comentário
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