Dias de Tempestade
Já não interessa quem fala a verdade. Já não queremos saber quem telefonou a quem, quem falou e não devia e quem devia ter falado e não falou. Não. Nada neste momento faz a menor diferença e esta resignação é talvez o facto mais grave nos momentos dramáticos que vivemos.
É uma desistência nacional. Mais de 200 mil pessoas manifestaram-se e ninguém as ouviu. Fizeram-no de forma pacífica e apartidária, como um grito conjunto ou um enorme pedido de socorro.
Chegados aqui, lemos as notícias, vemos as notícias e perguntamo-nos, isso sim, como pode alguém respeitar estes políticos que se comportam de forma tão ignóbil e sem o menor respeito pelo povo português.
Como pedir aos nossos filhos e netos que respeitam a base da democracia, a Assembleia da República, quando num qualquer debate o nível de linguagem e acusações é do mais baixo que se pode imaginar?
Engolimos em seco e aguardamos todos o que o futuro nos reserva sem a mínima esperança.
Algo está profundamente errado quando um povo não sabe em quem acreditar e para aqui fica à espera que alguém fale verdade.






