Adeus não, Artur!
Falar de Artur Agostinho é colocar um sorriso. Mesmo agora que partiu não pude deixar de dizer à sua mulher e filhas o enorme orgulho que seguramente sentem por terem amado e sido amadas por alguém como este homem. Era bom, amigo e solidário. Não gostava de ouvir dizer mal e tinha sempre, mas sempre uma palavra amável para os outros.
No seu velório duas jovens acercaram-se da família e apresentaram-se como tendo trabalhado com o Artur nas novelas e antes de conseguirem falar mais, desataram num pranto, que a juventude tem muito mais medo da morte do que as pessoas como o Artur, sábias pela escola da vida. Mas esta emoção é partilhada por todos os que o conheceram e pelo grande público que ao longo de gerações o recebeu.
Era uma pessoa bem-educada, de modos e sentimentos, na forma como era atento aos outros. E possuía com 90 antes uma lucidez surpreendente, um sentido de humor notável. Era tão fácil gostar dele como é impos-sível esquecê-lo. Porque mesmo neste tempo em que tudo é volátil e perene, o Artur e o seu sorriso continuaram a acompanhar-nos, porque a memória de um povo é feita de gente assim.
Esta responsabilidade de fazer parte da alma portuguesa ele sempre a soube, e sempre viveu de acordo com a ética. Ao deitar no esquecimento que um dia foi injustamente preso, que teve de abandonar a sua família e refugiar-se além fronteiras de um país em momentos de loucura, deu-nos a maior lição. E que Portugal estaria e virá a estar muito melhor. Até um dia Artur. Para si, adeus, nunca!







5 comentários
Em 1973, esta eu em Angola . . . !
A "defender a pátria ditosa" . . . !
E um belo dia, na "Verssalles", em Luanda . . . !
Encontrei o Grande Artur a tomar o "mata bicho" . . . !
Pode crer, cara Luisa . . . !
Tive muito prazer em falar com ele . . . !
Velhos tempos . . . !
Mas o tempo não volta para trás . . . !
E devemos seguir em frente . . . !
De cabeça levantada . . . !
E sempre com . . . !
A "malguinha" em riste . . . !