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OPINIÃO

Mendicantes

03 | 05 | 2011   18.40H
José Luís Seixas

Segundo anunciado, serão hoje conhecidos os termos do acordo de assistência financeira internacional. Adivinhamo-los severos. Quer pela dramática situação em que vivemos, quer pela triste imagem de irresponsabilidade que garbosamente exibimos nestas três semanas de “negociações” simbolizada no eclipse do Ministro das Finanças.

Os elementos da “troika” conheceram um País que vive num mundo virtual. Viram e ouviram todas as mentiras e todos os ludíbrios. Perceberam a razão de ser das obscenas taxas de crescimento que exibimos. Percepcionaram os nossos atavismos. Observaram-nos de cartão de crédito em punho e de conta a descoberto no banco. Estado, empresas e famílias.

Esclareça-se que, até há meses atrás, nos asseguraram vivermos tempos de abundância, de educação e saúde gratuitas, de reformas seguras e precoces. Prometeram-nos um futuro de “Magalhães”, de aeroportos, de alta velocidade, enfim, de modernidade, de excelência, de riqueza e de fartura. Quando alguém denunciou que o “rei ia nu” foi apodado de catastrofista e esconjurado. Em poucos dias o futuro reluzente transformou-se num presente de pânico. Afinal não havia dinheiro. Nem nos cofres do Estado, nem nas caixas dos bancos. Os salários estiveram em risco. A bancarrota esteve iminente.

Se depois de tudo isto, do despudor com que o País foi conduzido por Sócrates e pela sua corte, dos silêncios comprometidos de uns e das inimagináveis aleivosias de outros - de quem se esperava, no mínimo, um higiénico distanciamento -, ocorrer um qualquer resultado que não traduza o esmagamento eleitoral desta gente, estaremos perante uma patologia de inusitada gravidade. E, nessa situação, não há medicamento que nos salve. Estamos condenados a viver de um magro óbolo que alguém nos queira disponibilizar a troco do único bem difuso que ainda nos resta: a nossa já diminuída independência.

© Destak

4 comentários

  • Meu caro Zé Luis, num país de principios com gente de princípios, nunca o Sócrates estaria em funções, desde a descoberta da estória da licenciatura. Mas como temos o país que temos e somos a gente que somos, tudo pode acontecer. Eu próprio, suficientemente esclarecido, não ousaria votar em nenhum dos partidos com ambições de poder. Cada um é pior que o outro. Essa pessoa que o senhor insinua ter dado o grito de alerta foi a pior ministra e em todas as outras funções que tivemos até hoje. Do PSD, desde os tempos do Cavaco que foi um desgoverno total e a dívida sempre aumentou mais que com os outros. Acresce ter sido o berço de muitos e muitos criminosos que bem conhecemos. Não gosto do "ditador e suposto engenheiro", mas foi o único que teve a coragem de fazer algumas reformas importantes e trazer inovação. Não conseguiu mexer com todas as "corporações" mas fê-lo com outras. Nunca ninguém tinha ousado tal. Se for o próximo vencedor que tenha a coragem de acabar com todo o corporativismo instalado e com todos os mamantes do estado. Ao invés, o PSD está com uma fome terrível e ansioso por meter o focinho no tacho. Neste partido, cada tiro sua melga! Agora veio um economista relativo também dizer as bacoradas dele. Desta forma, como quer este partido ser poder? Lá teremos que os gramar se ganharem as eleições. No entanto, temo muito pelo estado social e pelo pouco que resta de património comum. Claro que dos outros nem vale a pena falar. Esses sim deveriam sofrer uma derrota esmagadora, talvez a extinção. Que saudades tenho do partido único, fundamentado na tríade: Deus, Pátria e Família.
    Que mais dizer!?
    MADALENA | 04.05.2011 | 17.50Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • rapaz muito esclarecido, este JLS, e acima de tudo muito honesto...
    antónio morais | 04.05.2011 | 15.40Hdenunciar comentário
    Tem a certeza que pretende denunciar este comentário? sim não
  • Acho engraçados os comentadores que acham que se Socrates ganhar é porque estamos doentes.
    E ainda por cima escrevem estas alarvidades num jornal que é distribuído gratuitamente na rua. Pois fique sabendo, caro Seixas, que o povo não é parvo.
    A si é que não há medicamento que o salve. A não ser que já exista cura para a cegueira política.
    Albicastro | 04.05.2011 | 09.00Hdenunciar comentário
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  • Caro JLS . . . !
    Não se rale . . . !
    Já pode dormir descansado . . . !
    E com a "malguinha" . . . !
    Preparada . . . !
    Porque a "caldeirada" . . . !
    Já está no "ponto" . . . !
    alexandre barreira | 04.05.2011 | 07.58Hver comentário denunciado
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