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OPINIÃO

Maio

12 | 05 | 2011   21.53H
J.L. Pio Abreu

Outrora, em Maio, falava-se de flores, de esperança. Falava-se na capacidade humana de encontrar justiça e felicidade. Outrora, no mês de Maio, era o tempo da juventude que ouvira falar de uma guerra, da estupidez de uma geração que não encontrou melhor solução para os seus problemas do que destruir e ser destruída paulatinamente e sem compaixão. Outrora, em Maio, pensava-se que a inteligência ficaria ao serviço da fraternidade e vencera definitivamente a estupidez.

Hoje, no mês de Maio, contam-se os tostões. Senhores e senhoras, quase sempre os mesmos, entram-nos todos os dias pela casa dentro através de um ecrã televisivo. Não são jovens, mas alguns querem parecê-lo. Nessas alturas, tiram a gravata. Mas são todos iguais. Todos vertem acusações e semeiam ódios. Todos competem pela frase mortífera que lhes dê a glória mediática. Todos falam em nome dos pobres mas nenhum vive mal. Todos vociferam contra o despesismo do Estado, mas, directa ou indirectamente, vivem à conta dele.

Voltámos à estupidez da geração guerreira moldada pelo estoiro da Economia de Mercado? Parece que sim. Bastou uma crise económica para que ressurgisse a Europa misantropa dos bairrismos e nacionalismos. E a guerra está à porta, sem canhões nem bombas atómicas, mas com guerras civis manipuladas pelos mesmos de sempre: aqueles que ganham com o mal dos outros. E enquanto nos vamos digladiando cara a cara, eles riem com a estupidez dos fracos. É este o nosso Maio.

*PSIQUIATRA E PROFESSOR
UNIVERSITÁRIO

© Destak

9 comentários

  • Senhor Martins, desconheço essa etimologia que apresenta. Por acaso, eu nunca tinha reparado nesse pormenor dos meses serem todos masculinos. Mas pensando bem, tal extende-se a muitas outras coisas, talvez devido às sociedades patriarcais e machistas. Apesar disso, virmos agora mudar, não me parece a melhor ideia. Talvez fosse melhor as mulheres arranjarem designações concorrenciais para tudo. Com excepção de uma coisa, não me parece que tudo o que é feminino é bom. rsrsrs Parece-me, até, que o mundo governado por mulheres seria bem pior e menos desenvolvido. Na melhor das hipóteses, seríamos uma espécie descabelada! rsrsrs
    O que me parece mais estranho é que quase todas as conquistas das mulheres tenham sido levadas a cabo pelos homens, assexuadas ou transexuais vestidas de mulher.
    Deixo, também, para pensar.
    Neptuno | 15.05.2011 | 14.15Hdenunciar comentário
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  • Excelente tema e excelente texto! Maio é mês das Maias e Maia quer dizer Maria. Maio deveria ser então mês de Mario e não de Maria.
    Mas Fátima diz-nos que é de Maria e se alguma dúvida houvesse bastava ir para a estrada Nacional 1. Mudemos então o nome do mês para Maia em vez de Maio. Haveria então um mês totalmente feminino no calendário.
    Alguém tem sugestão melhor? Venha ela que o que precisamos é de falar sobre ideias! E esta hem!!!
    Manuel Martins | 14.05.2011 | 18.28Hdenunciar comentário
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  • Qu'importa a fúria do mar?
    Maio, maduro Maio | 13.05.2011 | 18.25Hdenunciar comentário
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  • Esse Maio já passou MARILUZ. Hoje é 13 de Maio, outra história ainda mais bela do que essa. Não a vou maçar com referências, mas pode começar por informar-se aqui: http://www.fatima.org/port/essentials/facts/pmirac le.asp
    ALGO MAIS BELO | 13.05.2011 | 15.41Hdenunciar comentário
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  • Gostei imenso de ler o postado aqui ... Maio ... um Mês o quinto do ano e tantos significados ... Maio o Mês das Maias ... o 1º que é festejado desde a Antiguidade numa festa chamada Maio ou das Maias ... um cheirinho da renovação da Natureza e o Esplendor da bela, formosa e florida Primavera... Maio de 68 como carácter revolucionário ... Maio Francês.. Tal como o 1º de Maio uma Festa Internacional do trabalho e que foi instaurada em 1889 para recordar 5 dirigentes operários de Chicago executados em 1887 por terem organizado uma Greve Geral 1886. Pois, que se recorde que outros lutaram por direitos ... Por isso, festeje-se e eleve-se o 1º de Maio e se continue a lutar pelos direitos, hoje essa luta no País seja feita por trabalhadores, desempregados para que o Direito ao trabalho seja uma realidade, inclusive manifestem-se os Reformados e todos aqueles injustiçados, para que os Valores mais altos se levantem a Dignidade Humana numa Europa cada vez mais Neo Liberal do capital em detrimento da pessoa Humana ... e a sua Liberdade Como HOMEM ... Maio ... como ilha do arquipélago de Cabo Verde descoberta por Diogo Gomes Português ... na Era dos Navegadores Corajosos e Aventureiros ...em que conquistamos mais um País a falar língua Portuguesa a do intemporal Camões ... e nos faz reflectir o quanto nos tornamos pequeninos e desacreditados... com cada um a puxar a brasa à sua sardinha... Por último, os países além de bairristas, Nacionalistas se tornaram também egoístas ... Há sempre limite para a inteligência mas para a estupidez e o egoísmo não ... O Inferno são os outros ... Dizia Sartre ...
    Marluz | 13.05.2011 | 13.58Hdenunciar comentário
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  • Não imagina o agradecido que senti ao ler esta sua crónica, Pio Abreu. Há qualquer coisa no interior das pessoas que as leva a sentirem agradecimento quando se apercebem de que alguém diz uma verdade. A verdade cria por si mesma empatia entre os bons seres humanos. Mas cria ódios e rancores nos maus seres humanos. Poucas pessoas terão ainda dúvidas sobre a existência dessa guerra que por aí lavra entre pessoas de bem e pessoas de mal. Entre o BEM e o MAL, se quisermos. Por isso, começa agora a ser necessário arranjar-se estratégias de defesa que permitam às gentes de bem vencer. O primeiro passo é entender-se como o mal funciona, mas somente com a ideia de o identificar e não de o destruir. O Mal é indestrutível a não ser por si próprio, em si mesmo, porque se corrói também a si mesmo. Por isso, o que o Bem tem de fazer é simplesmente arranjar maneiras de retirar ao Mal o alimento: não aceitar quaisquer das suas propostas, mesmo que à primeira vista elas sejam oferecidas envoltas em promessas douradas. O Mal da humanidade está na sua estranha adoração pelo "ouro", e pelo que é dourado. E quando como um todo ela perceber que a verdadeira preciosidade não reside no ouro mas em si própria, na faculdade extraordinária de compreensão do mundo e na empatia dos seres uns pelos outros, então estará safa a humanidade, e caído o Mal no seu próprio veneno. Mas o Mal actua rápido, tenta expandir-se, conquistar cada vez mais espíritos para o seu lado com recurso a tudo o que for possível, pelo que é urgente divulgar a necessidade de o frustrar, de lhe dizer "não obrigado", de o abandonar aos seus desígnios. O Mal existe, podemos todos hoje bem vê-lo a actuar nas nossas sociedades e pelo mundo fora, mas se calhar existe precisamente para que esse mundo perceba a necessidade e a beleza do Bem, por comparação. Não deve ser o Bem a destruir o Mal, como até agora sempre se pensou. Cada um tem o seu propósito de existir. Há é que abandonar o Mal de forma a ser ele próprio a desaparecer. Consumir bem mas somente o mínimo, exigir visibilidade total nas contas dos governos, instrução para a inteligência e não para a demência, para o "saber" e não para o "dizer", são direcções que terão de ser seguidas. Muito se agradece a sua crónica. Cumprimentos.
    CUMPRIMENTOS | 13.05.2011 | 12.35Hdenunciar comentário
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  • Caro doutor, Maio é o mês das mais, lindas flores amarelas que emergem das giestas, outrora alimento para coelhos domésticos e cuja semente era aproveitada para a indústria farmacêutica e de cosmética. Os coelhos de hoje já não se contentam com isso; querem mais e mais. Também os campos eram tapeteados de verde, sinal da presença da Primavera. Hoje, também esta, parece ter-nos abandonado quer seja pela alteração do clima quer pela "globalização" e pela "milagrosa" economia liberal". Na verdade, os tempos são outros. E nós, as pequenas sementes que pretendemos libertar-nos do lamaçal em que nos lançaram!? Façamos votos que venha aí um Verão bem quente e que faça evaporar as águas fétidas de tais terrenos, ainda que estas inundem a atmosfera e nos sofoquem, a prazo. Pior do que a prisão a que estamos sujeitos é o contínuo e ensurdecedor ruído que nos atormenta em cada instante. Há legislação sobre o ruído, mas a ética e o bom senso deveriam torná-la inútil. Ao invés, cada dia que passa assistimos a maior poluição, essa que nos invade a mente e nos destrói aos poucos. Claro que é tempo de mudança, mas que mudança!? Se não for a mãe-natureza a fazê-lo, não vejo que os homens o façam. Como sempre, confiemos que esta seja regeneradora e se auto-regule, estabelecendo os seus equilibrios e eliminando os elementos adversos.
    Professor não universitário e psiquiatra ao seu jeito | 13.05.2011 | 11.36Hdenunciar comentário
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  • Caro JLPA . . . !
    Gostei da parte final . . . !
    Quando fala na . . . !
    Estupidez dos fracos . . . !
    E eu diria mais . . . !
    Com estupidez . . . !
    Ou sem estupidez . . . !
    Meus caros . . . !
    CUIDEM DAS "MALGUINHAS" . . . !
    alexandre barreira | 13.05.2011 | 07.07Hdenunciar comentário
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  • Ó professor, Maio é QUEIMA DAS FITAS pá! F R A.
    Coimbrinha | 13.05.2011 | 02.58Hdenunciar comentário
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