Sublime
Que se passa com Cristiano Ronaldo? Mais aquele prazer animal de fazer golos? Fá-los de enxurrada, vai ser o melhor marcador da Europa, para mais em compita sensacional com Messi. Cristiano Ronaldo, no contexto do futebol português, já pode ser comparado a Eusébio, já superou Figo, Chalana, Futre, outros executantes geniais.
Cristiano Ronaldo não é mais o príncipe iluminado da bola nacional, transformou-se em monarca absoluto, dá ao trono de Eusébio a expressão moderna do encanto. Ele só sabe levantar o pé na direcção do golo, ele só sabe levantar a cabeça na direcção da vitória, ele só sabe levantar-se todo na direcção do sucesso.
Só mesmo os eleitos sujeitam a bola à soberania das suas vontades. Ronaldo fá-lo, fá-lo bem, fá-lo no domínio da perfeição. Fá-lo com elegância, fá-lo com velocidade, fá-lo com graça. Ronaldo viola a ordem, tem tudo de subversivo, despe a táctica defensiva do adversário sempre com o sentido erótico do golo.
Portugal tem o privilégio raro de contar com Ronaldo entre os seus. «Não se ouve Deus, mas tem-se a ilusão do silêncio mais perfeito do mundo» na prosa de João de Melo. Não era uma frase dedicada a Ronaldo? E não poderia ser? Melhor ainda, não deveria ser? Ronaldo tal como Eusébio é já uma das poucas divindades da bola. Para o mais perfeito silêncio, para o mais delirante ruído.






