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OPINIÃO

Vou-te enviar uma carta

16 | 05 | 2011   19.53H
Luisa Castel-Branco

Não uma mensagem por telemóvel, ou um email. Não, uma carta como se fazia dantes. Vou comprar um selo (quanto custará?), envelope e papel ainda por aí tenho.

É outra coisa, sabes?
Já me vejo a ponderar cada palavra, porque numa carta as palavras têm um peso diferente, uma força muito maior.

Hoje a vida é feita de rapidez, aceleração e tudo é descartável, dos objectos às amizades, e claro o amor. O amor tornou-se tão antigo como as cartas, as que têm selo. A paixão, essa, é actual e constante. Toda a gente tem necessidade de estar apaixonada. E raros são os que conhecem o amor, porque para tal é necessário tempo, empenho, sacrifício e alegria.

O amor passou de moda. Ninguém quer sofrer, ou lutar, ou investir numa relação, ultrapassar os momentos difíceis e acreditar que há um futuro.
Por isso a sociedade anda assim, perdida, desolada, sem sonhos.
É altura de voltar às cartas de amor ou de tristeza, não importa.
Desde que gastemos tempo, carinho e coloquemos dentro do envelope, que fecharemos lambendo lentamente a tira de cola, um pedaço de nós.

Por isso, quando a receberes no teu correio, entre as muitas folhas de publicidade, as contas da casa, a correspondência do Banco, sei que vais olhar com espanto (há quanto tempo não recebes uma carta pessoal, escrita à mão?).
Talvez me respondas de volta. Quem sabe.

Talvez comecemos a trocar correspondência e eu guarde as tuas palavras numa gaveta perfumada, palavras escritas sem pressa, sem outro objectivo que não conversarmos os dois, com o tempo no relógio parado.

© Destak

17 comentários

  • Sabe amiga, vivemos numa sociedade onde se trocou o materialismo pelos sentimentos. Não se sabe sentir, como tal o amor passou a essa forma de nome paixão, produto para consumir e alimentar corpos sedentos de tudo mas cheios de nada.
    Depois as vozes levantam-se, chamam-lhe crise, excesso de informação, intoxicação tecnológica e afins, será?
    Numa simples folha de papel, nascem letras, formam-se palavras, desenham-se sentimentos. Gostei amiga, parabéns por ainda estar viva.
    Rui Muge | 22.05.2011 | 06.43Hdenunciar comentário
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  • Gostei Isabel. Parabéns.
    Embora não tenha parado no tempo também me considero um romântico e lastimo que as cartas, entre outras coisas, se tenham perdido neste mundo tecnológico, estas e, essencialmente, o amor.
    pedro lindo | 21.05.2011 | 22.02Hdenunciar comentário
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  • ANTI ROMÂNTICO não será um nick extremamente ROMANTICO, quem desdem quer comprar
    Charles | 20.05.2011 | 22.33Hdenunciar comentário
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  • Não foi o Alvim que escreveu isto?
    BirdOfPrey | 19.05.2011 | 22.59Hdenunciar comentário
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  • E agora, uma discussão para totós: se todas as cartas de amor são ridículas, escrever sobre cartas de amor não será também ridículo?
    Anti romântico | 19.05.2011 | 15.22Hdenunciar comentário
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  • Boa correcção ortográfica, mr. John. É que para escrever bem , não basta "botar" palavras no papel. Também aqui, estamos perante um caso de iliteracia.
    MESTRE | 18.05.2011 | 18.17Hdenunciar comentário
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  • Luísa, gostaria de um endereço seu (pessoal ou profissional) mas não electrónico. Há algumas pessoas de diferentes nacionalidades que lhe querem enviar uma carta dessas de que fala: com envelope, selo... Escrever-lhe-ão em Português. Obrigada. Vera
    Vera Lopes | 18.05.2011 | 15.15Hdenunciar comentário
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  • Só uma nota: deveria estar escrito "Vou enviar-te uma carta" e não "Vou-te enviar uma carta". De resto diria que é uma reflexão muito interessante!
    João | 18.05.2011 | 13.47Hdenunciar comentário
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  • O romantismo foi assassinado pelas mulheres à muito tempo, elas agora é mais sexo, não entendo o porquê de voltar ao passado, talvez nos lares de idosos aonde o sexo já não ... se "eleva" aos padrões do antigamente o romantismo tenha saída, hoje os homens já não estão para fazer figura ridícula com as cartas de amor, nem ser motivo de galhofa entre as gajas, isto acabou para sempre...abriu.se a caixa de pandora do sexo e pronto... se uma mulher quer romantismo e pouco sexo ha logo outra ao lado que quer sexo... a romântica fica a ver navios a não ser que embarque no sexo....
    Charles | 18.05.2011 | 10.27Hdenunciar comentário
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  • Ó número 7, por vezes, o silêncio vale mais que mil palavras. E, com ele, também se transmitem significativas mensagens. Mas, como tudo, também é preciso saber gerir os silêncios. Ser-se modesto demais, também é "pecado".
    Beto | 18.05.2011 | 09.17Hdenunciar comentário
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  • Aqui está o que penso e que eu nunca poderia descrever, por me faltar as palavras. Só mesmo as palavras sábias e certeiras da Luísa! É fantástica!!!!
    Rita Catita | 17.05.2011 | 22.41Hdenunciar comentário
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  • Mamma miaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa...
    Este mundo deve estar louco.
    MANÍACA | 17.05.2011 | 17.45Hdenunciar comentário
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  • Mas que declamação, a número quatro. Parece uma verdadeira sinfonia de palavras. O meu aplauso por isso. Empreste um pouco da sua imaginação ou do seu sentir à autora da crónica. Não queira confundir-se com ela ou avaliá-la como uma "oportunidade".
    NOCAS | 17.05.2011 | 14.54Hdenunciar comentário
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  • Olá Dª. Luísa gostei da leveza do seu artigo ... Faz-me indagar... O porquê, disso acontecer ?Será a evolução? Serão as tecnologias? o "assassinato" da Língua de Camões na escrita do K? Será o papel educativo que anda arredio ? Tantas perguntas, os porquês que nos fazem questionar ... Eu gosto da viagem das palavras ... para quem ama a escrita expressa na emoção instrumental descrita pelos dedos ... Gosto das palavras a ganhar movimento... a embarcar numa viagem intima que para mim nunca terá fim à vista ... Estas palavras simples são arrancadas ou fluem do púlpito do ser como essência na primeira pessoa... que passam pelos sentimentos...por pessoas ... pelo mar... sendo estas elevadas numa janela embebidas numa inebriante e serena vista de uma ...paisagem... uma mata, o verde fonte de inspiração... Numa rota imparável de nós para os o Ego e para os outros ... às vezes caminham para os sítios mais absurdos, temas complexos, simples e de afectos explícitos ou mais subtis... Escrever uma carta ... a escrita é uma parte de todos ...porque é o pensamento estar presente...e centra a partilha ... brincar e ultrapassam muitas vezes o sentir e pensar ...a liberdade de expressão extravasada, elas são os nossos sentimentos ... tem um poder muito grande... e extravasam as personalidades... As palavras pintam as cores da principal máquina do ser Humano e criam algo revelando estados de espírito ... Pela força subtil das palavras podemos ver o poder do toque ...em todas as vertentes ... Costuma-se dizer "Tanto se perde por carta de mais, como por carta de menos"
    Marluz | 17.05.2011 | 14.19Hdenunciar comentário
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  • Santa Marta, Santa Marta/
    Santa Marta de Portuzelo/
    Quis escrever uma carta/
    E não tinha cuspo pró selo.
    anónimo | 17.05.2011 | 11.25Hdenunciar comentário
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  • Porca miséria! Até o papel já vai ecasseando. Reflexo da crise, claro. Não da crise do país mas da "crise" que a todos aguarda: o abandono e a solidão. Mas talvez não seja com cartas recheadas de contas para pagar que os afectos retornam. Esses, quando existem, não desparecem nunca. O grande problema é que se viveu na ilusão de que o mundo gravitava à nossa volta. Nada de mais errado. Como tudo na vida o que não presta ou não serve vai para o lixo ou para o cantinho das relíquias. Por mais voltas que queiram dar ou por muito que se lamentem, o fim é mesmo assim porque os humanos ainda não podem ser reciclados. Desta forma, resta-nos adaptarmo-nos à nova realidade e viver em função dela. Sonhar, sim, mas com a eternidade. rsrsrs Aí, o relógio não parará e o tempo não mais se esgotará.
    NINFA | 17.05.2011 | 09.17Hdenunciar comentário
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  • Cara Luisa . . . !
    Com esta "brincadeira" . . . !
    Das cartas . . . !
    Fez-me sonhar acordado . . . !
    E até já me caíu . . . !
    Uma lágrima na "malguinha" . . . !
    Velhos tempos . . . !
    Dos "aerogramas" e das madrinhas . . . !
    De guerra e paz . . . !
    Com selo e sem selo (elas lá sabiam) . . . !
    Enfim, caríssima . . . !
    É a "lei" da vida . . . !
    alexandre barreira | 17.05.2011 | 07.29Hver comentário denunciado
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