Vou-te enviar uma carta
Não uma mensagem por telemóvel, ou um email. Não, uma carta como se fazia dantes. Vou comprar um selo (quanto custará?), envelope e papel ainda por aí tenho.
É outra coisa, sabes?
Já me vejo a ponderar cada palavra, porque numa carta as palavras têm um peso diferente, uma força muito maior.
Hoje a vida é feita de rapidez, aceleração e tudo é descartável, dos objectos às amizades, e claro o amor. O amor tornou-se tão antigo como as cartas, as que têm selo. A paixão, essa, é actual e constante. Toda a gente tem necessidade de estar apaixonada. E raros são os que conhecem o amor, porque para tal é necessário tempo, empenho, sacrifício e alegria.
O amor passou de moda. Ninguém quer sofrer, ou lutar, ou investir numa relação, ultrapassar os momentos difíceis e acreditar que há um futuro.
Por isso a sociedade anda assim, perdida, desolada, sem sonhos.
É altura de voltar às cartas de amor ou de tristeza, não importa.
Desde que gastemos tempo, carinho e coloquemos dentro do envelope, que fecharemos lambendo lentamente a tira de cola, um pedaço de nós.
Por isso, quando a receberes no teu correio, entre as muitas folhas de publicidade, as contas da casa, a correspondência do Banco, sei que vais olhar com espanto (há quanto tempo não recebes uma carta pessoal, escrita à mão?).
Talvez me respondas de volta. Quem sabe.
Talvez comecemos a trocar correspondência e eu guarde as tuas palavras numa gaveta perfumada, palavras escritas sem pressa, sem outro objectivo que não conversarmos os dois, com o tempo no relógio parado.






17 comentários
Depois as vozes levantam-se, chamam-lhe crise, excesso de informação, intoxicação tecnológica e afins, será?
Numa simples folha de papel, nascem letras, formam-se palavras, desenham-se sentimentos. Gostei amiga, parabéns por ainda estar viva.
Embora não tenha parado no tempo também me considero um romântico e lastimo que as cartas, entre outras coisas, se tenham perdido neste mundo tecnológico, estas e, essencialmente, o amor.
Este mundo deve estar louco.
Santa Marta de Portuzelo/
Quis escrever uma carta/
E não tinha cuspo pró selo.
Com esta "brincadeira" . . . !
Das cartas . . . !
Fez-me sonhar acordado . . . !
E até já me caíu . . . !
Uma lágrima na "malguinha" . . . !
Velhos tempos . . . !
Dos "aerogramas" e das madrinhas . . . !
De guerra e paz . . . !
Com selo e sem selo (elas lá sabiam) . . . !
Enfim, caríssima . . . !
É a "lei" da vida . . . !