A arena mediática
Dominique Strauss-Kahn, depois de Julien Assange, sem contar com os casos domésticos que se arrastam numa suspeição que ninguém esclarece, leva-nos a perguntar: em que mundo vivemos nós?
Pensávamos que vivíamos em Estados de Direito democráticos? Sobre Democracia, estamos entendidos. Ela é condicionada pelas interdependências económicas governadas em Wall Street por um grupo de gente gananciosa, sem visão, sem ética e sem responsabilidade, como Dominique Strauss-Kahn ajudou a denunciar no filme Inside Job.
Essa gente, em vez de ser condenada pelas catástrofes que provocou à escala mundial ou pela vida licenciosa que leva, recebeu indemnizações douradas e foi promovida para manter a governação desestabilizadora.
Quanto ao Direito, vemo-lo agora: em vez de perseguirem os verdadeiros criminosos, os Procuradores dedicam-se à caça de estrangeiros incómodos para os lançarem na arena mediática, onde os predadores de serviço lhes dão as primeiras dentadas, logo seguidos pela multidão das feras amestradas à frente dos ecrãs televisivos. Discrição e presunção de inocência, os alicerces do Direito, foram às urtigas.
O circo romano, onde os estrangeiros incómodos eram lançados à arena para enfrentar as feras antes de serem dizimados pelos gladiadores, voltou à aldeia global. Despem-se os acossados para que se notem os seus comportamentos irracionais. Mas não me digam que a racionalidade pertence à multidão ululante que suporta o espectáculo e exige sangue.





22 comentários
Que a coisa cheira a esturro lá isso cheira. Foi a CIA? Foi Sarkosi? Foi algum país que queria o cargo e tinha capacidade e serviços secretos para realizar a dita obra? China? Rússia? Israel?
Ou o homem passava-se mesmo com o sexo? Por uns poucos dólares podia ter as escorts que escolhesse em catálogo.
O mais racional dos homens pode e tem momentos de irracionalidade! É verdade!
O filme continua num cinema perto de si
Bom resto de Domingo a todos e que nas duas próximas semanas possamos assisitir a debates sérios e não às manipulações a que vimos assistindo. Os eternos candidatos ao poder persistem em nada fazer que não seja aumentar impostos e diminuir salários e regalias sociais. A única divergência é quem tira mais ao povo e como. Nenhum deles se propõe emagrecer o estado naquilo tudo que nós sabemos. Estão lá os amigos de um e outro, claro. Baseando-nos nas sondagens e em múltiplas opiniões de circunstância, verificamos que o povo não quer nem o PSD nem o PS, nem outro. Então não haverá uma forma de expressarmos isso!? Claro que há. Expressemo-la e não vamos na teoria do mal menor.
Bom Domingo.
Obviamente que há casos e casos e nos casos em que há confissão, testemunhas ou algo de concreto, palpável e que sirva como prova inequívoca claro que deve caber ao infrator a prova de inocência, mas nos casos, não sei se este o é ou não e nem me interessa, mas caso haja só a palavra de "um contra o outro" ou provas circunstanciais penso que deve ser aplicado o estatuto de presumível inocente até prova em contrário e deve caber ao M.P. provar a culpa do individuo e não o contrário.
Senão todos nós poderíamos, em qualquer altura, ser confrontados com uma data de problemas judiciais, sociais, profissionais e familiares só porque alguém se lembrou de nos difamar ou caluniar e tenta arranjar-nos uma carga de trabalhos só porque não gosta de nós, por vingança ou simplesmente para tirar uma vantagem qualquer. E todos nós sabemos que uma vida depois de devassada na praça publica, mesmo depois de provada a inocência, nunca mais recupera socialmente e muito menos dentro de nós, fica para o resto da vida como uma marca negra e amarga, e tudo escusadamente muitas vezes.
Hoje todos agimos como marionetas ao som da musica que uns quantos tocam. Todo o poder, seja executivo, legislativo ou judicial é feito e executado consoante os pedidos dos grandes e poderosos, e no meio desta "festa" estamos nós, os pobres otários que se contentam com as migalhas que caem sem contestar nem questionar, pelo contrário, rimos quando nos mandam rir, choramos quando nos mandam chorar e calamos quando nos mandam calar, pois se assim não for temos "direito" a ser lançados aso leões.
Excelente artigo.
É o caso das efectuadas pela Marluz. Sinceramente que me dá imenso prazer lê-la(o) quer pelo seu conteúdo quer pelos sentimentos que lhe subzagem. Parabéns, muitos parabéns, madame ou cavalheiro.
PS. Entre muitas outras coisas, custa-me imenso aceitar as benesses de que usufurem estes senhores do FMI, quando é suposto ser um organismo de ajuda e o dinheiro é dos seus associados. Mas, tenho presente quanto ganhava a Maria Barroso na Cruz Vermelha, a Guidinha da abraço e, agora, a família dos "nobres senhores".
E quando um Homem cai todos o querem pisar ... Este estado de coisas está na base daquilo a que chamamos hipocrisia ...e os campos de "batalha" das vidas é o dinheiro e as armas são escolhidas as adequadamente fornecidas ... Pergunto-me? porque razão as tarefas mais altruístas que são as mais mal pagas?
Como podem alcançar o potencial sem o basearem na destruição do potencial dos outros? É caso para comentar ... é necessário um guia para os perplexos ... dada a perplexidade das coisas mundanas e do Mundo cada vez mais complexo e que nos espanta ...
Sobretudo dos que não são da nossa cor, política e dermatológica ...
A crónica é excelente, mas falta acrescentar que caminhamos a passos largos para o fim de uma civilização.
Que a psicologia . . . !
Das "malguinhas" . . . !
É o "cerne" . . . !
Da humanidade . . . ? !
Por acaso não foi . . . !
O Albino Forjaz Sampaio . . . ? !