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OPINIÃO

A arena mediática

19 | 05 | 2011   20.17H
J.L. Pio Abreu

Dominique Strauss-Kahn, depois de Julien Assange, sem contar com os casos domésticos que se arrastam numa suspeição que ninguém esclarece, leva-nos a perguntar: em que mundo vivemos nós?

Pensávamos que vivíamos em Estados de Direito democráticos? Sobre Democracia, estamos entendidos. Ela é condicionada pelas interdependências económicas governadas em Wall Street por um grupo de gente gananciosa, sem visão, sem ética e sem responsabilidade, como Dominique Strauss-Kahn ajudou a denunciar no filme Inside Job.

Essa gente, em vez de ser condenada pelas catástrofes que provocou à escala mundial ou pela vida licenciosa que leva, recebeu indemnizações douradas e foi promovida para manter a governação desestabilizadora.

Quanto ao Direito, vemo-lo agora: em vez de perseguirem os verdadeiros criminosos, os Procuradores dedicam-se à caça de estrangeiros incómodos para os lançarem na arena mediática, onde os predadores de serviço lhes dão as primeiras dentadas, logo seguidos pela multidão das feras amestradas à frente dos ecrãs televisivos. Discrição e presunção de inocência, os alicerces do Direito, foram às urtigas.

O circo romano, onde os estrangeiros incómodos eram lançados à arena para enfrentar as feras antes de serem dizimados pelos gladiadores, voltou à aldeia global. Despem-se os acossados para que se notem os seus comportamentos irracionais. Mas não me digam que a racionalidade pertence à multidão ululante que suporta o espectáculo e exige sangue.

© Destak

22 comentários

  • tou confuso... não sei se acredito ou "não acredito num pentelho do que me passa pelos olhos... já não há pão só há circo... e esse é aos molhos"... e esse novo livro Pá?
    Sérgio | 23.05.2011 | 17.06Hver comentário denunciado
  • Não julguem, meus amigos, que o DSK está arrumado. Longe disso! Como ainda tem uns trocados, contratou duas equipas de investigadores. Uma vai devassar todo o passado da rapariga para a desacreditar, e a outra vai investigar os polícias que o acusaram para tb os desacreditar`. É assim que os poderosos cilindram quem se lhes mete ao caminho...no melhor dos mundos.
    José Oliveira | 23.05.2011 | 10.49Hdenunciar comentário
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  • Em grande!! Quem fala assim não é gago!!! Num tempo em que "ninguém se quer molhar" dando opiniões em público, o artigo é lapidar sobre a possibilidade de se poder dar opinião em público.
    Que a coisa cheira a esturro lá isso cheira. Foi a CIA? Foi Sarkosi? Foi algum país que queria o cargo e tinha capacidade e serviços secretos para realizar a dita obra? China? Rússia? Israel?
    Ou o homem passava-se mesmo com o sexo? Por uns poucos dólares podia ter as escorts que escolhesse em catálogo.
    O mais racional dos homens pode e tem momentos de irracionalidade! É verdade!
    O filme continua num cinema perto de si
    Manuel Martins | 23.05.2011 | 10.47Hdenunciar comentário
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  • Pois é, VIVA A BIGARQUIA (PS/PSD). Que Deus permita que seja eternos. Que se lixe o povo porque mais não merece. Costuma dizer-se que tão ladrão é o que vai à quinta como o que fica ao portão. Ora, se eles roubam, o povo viu e sabe porque está à porta.
    RECEPTADOR | 22.05.2011 | 16.26Hdenunciar comentário
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  • Meu caro Pedro, concordo com as suas observações. A revolta com a impunidade destes e outros tantos e tão diversos casos dos ditos "poderosos" impele-me a cair no outro extremo. No entanto, acentuo que o estatuto de "presumível inocente" se mantém até que qualquer sentença transite em julgado, independentemente de haver flagrante delito, da confissão de culpa ou de provas concludentes. Não consigo olhar para nenhum desses pedófilos, assassinos, ladrões, corruptos... como presumíveis inocentes quando temos determinadas certezas, ainda que não provadas em tribunal porque bem sabemos como se "fabrica" a justiça dos ricos, começando logo pela feitura das leis. Já agora, dou especial ênfase aos crimes económicos que passam quase todos incólumes e, muitas vezes, arrasam famílias, instiuições e o próprio estado, como aconteceu com a presente crise que vivemos cuja origem também está, em parte, nestes desmandos criminosos.
    Bom resto de Domingo a todos e que nas duas próximas semanas possamos assisitir a debates sérios e não às manipulações a que vimos assistindo. Os eternos candidatos ao poder persistem em nada fazer que não seja aumentar impostos e diminuir salários e regalias sociais. A única divergência é quem tira mais ao povo e como. Nenhum deles se propõe emagrecer o estado naquilo tudo que nós sabemos. Estão lá os amigos de um e outro, claro. Baseando-nos nas sondagens e em múltiplas opiniões de circunstância, verificamos que o povo não quer nem o PSD nem o PS, nem outro. Então não haverá uma forma de expressarmos isso!? Claro que há. Expressemo-la e não vamos na teoria do mal menor.
    Fifi | 22.05.2011 | 16.20Hdenunciar comentário
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  • Muito bem, PEDRO LINDO!
    Bom domingo! | 22.05.2011 | 12.38Hdenunciar comentário
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  • Desculpe o esquecimento FIFI.
    Bom Domingo.
    pedro lindo | 22.05.2011 | 11.35Hdenunciar comentário
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  • Não concordo com o seu comentário caro FIFI, pois à casos e casos.
    Obviamente que há casos e casos e nos casos em que há confissão, testemunhas ou algo de concreto, palpável e que sirva como prova inequívoca claro que deve caber ao infrator a prova de inocência, mas nos casos, não sei se este o é ou não e nem me interessa, mas caso haja só a palavra de "um contra o outro" ou provas circunstanciais penso que deve ser aplicado o estatuto de presumível inocente até prova em contrário e deve caber ao M.P. provar a culpa do individuo e não o contrário.
    Senão todos nós poderíamos, em qualquer altura, ser confrontados com uma data de problemas judiciais, sociais, profissionais e familiares só porque alguém se lembrou de nos difamar ou caluniar e tenta arranjar-nos uma carga de trabalhos só porque não gosta de nós, por vingança ou simplesmente para tirar uma vantagem qualquer. E todos nós sabemos que uma vida depois de devassada na praça publica, mesmo depois de provada a inocência, nunca mais recupera socialmente e muito menos dentro de nós, fica para o resto da vida como uma marca negra e amarga, e tudo escusadamente muitas vezes.
    pedro lindo | 22.05.2011 | 11.33Hdenunciar comentário
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  • Ainda há quem pense que o urso Kan não deveria ser enjaulado. Santa tristeza! Presumível inocência? E porque não presumível culpado? Esta da presumível inocência é mesmo uma farsa judicial. Mesmo que milhares de testemunhas confirmem um crime e o seu autor o confesse, continua a ser "presumível inocente" até ao final do julgamento e respectivos recursos. Quantos criminosos não morrem nesse espaço de tempo com o estatuto, veja-se a aberração, de presumível inocente. Tenho presente o caso do sujeito que matou a freira em Gaia que foi absolvido, mesmo depois de confessar o crime e conduzir a investigação ao local onde tinha escondido o corpo. Se compete aos acusados provar que não cometeram determinado crime, como pode acontecer tal? Além do mais, se são suspeitos ou acusados, serão sempre "presumíveis culpados" e nunca "presumíveis inocentes". Quanto a mim, trata-se de uma das maiores contradições da justiça.
    FIFI | 22.05.2011 | 09.26Hdenunciar comentário
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  • Por detrás desta detenção quanto a mim há algo que se quer pôr em causa.Calhou a este senhor ser designado a dar cara ao protagonista deste filme americano.Abateu-se -lhe o mundo em cima,de um momento para o outro,e foi logo arrastado pelas ruas, puxado pelos cabelos.A desproporção entre o alegado crime, ainda por apurar e a humilhação publica a que foi sujeito. já efectuada e sem recurso,diz-nos bem dos crimes contra a dignidade humana perpetrados e do calibre dos seus autores.
    Margarido | 22.05.2011 | 08.52Hdenunciar comentário
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  • Tem toda a razão Pio.
    Hoje todos agimos como marionetas ao som da musica que uns quantos tocam. Todo o poder, seja executivo, legislativo ou judicial é feito e executado consoante os pedidos dos grandes e poderosos, e no meio desta "festa" estamos nós, os pobres otários que se contentam com as migalhas que caem sem contestar nem questionar, pelo contrário, rimos quando nos mandam rir, choramos quando nos mandam chorar e calamos quando nos mandam calar, pois se assim não for temos "direito" a ser lançados aso leões.
    Excelente artigo.
    pedro lindo | 21.05.2011 | 22.31Hdenunciar comentário
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  • Espanha é uma porcaria.. Que se lixe a Espanha pá!
    P4UL0 | 21.05.2011 | 04.27Hdenunciar comentário
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  • Isto é um país? Vejam o que se está a passar em Espanha e de que ninguém nestes jornais fala!
    España pà! | 20.05.2011 | 22.55Hdenunciar comentário
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  • A culpa é da preta. A miúda é bem gira e até queria brincadeira por ele ser tão poderoso e ter tanto dinheiro. O Dr. Pio tem mais uma vez razão neste seu artigo.
    Sérgio | 20.05.2011 | 22.04Hdenunciar comentário
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  • Muitas vezes, é um prazer ler os comentários às crónicas aqui expressas.
    É o caso das efectuadas pela Marluz. Sinceramente que me dá imenso prazer lê-la(o) quer pelo seu conteúdo quer pelos sentimentos que lhe subzagem. Parabéns, muitos parabéns, madame ou cavalheiro.
    PS. Entre muitas outras coisas, custa-me imenso aceitar as benesses de que usufurem estes senhores do FMI, quando é suposto ser um organismo de ajuda e o dinheiro é dos seus associados. Mas, tenho presente quanto ganhava a Maria Barroso na Cruz Vermelha, a Guidinha da abraço e, agora, a família dos "nobres senhores".
    FIFI | 20.05.2011 | 17.00Hdenunciar comentário
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  • Excelente artigo ... Dinheiro, poder e a essência Humana ... O individuo inacabado como instrumento ... Tudo tem um preço nas sociedades que dizem abundantes ... Vivemos num mundo ... em que se avaliam as pessoas como se comporta em relação ao tempo, ao dinheiro e pelo sexo ... sob as realidades hipnóticas ... a força do dinheiro ... bem como a tendência da psique humana para se deixar devorar por impulsos ... Vivemos também num mundo onde em todas as coisas que sucedem, há quase sempre algo de indefinido... Mas, no mundo feito selva ... quem não quer ser lobo não vista a pele...
    E quando um Homem cai todos o querem pisar ... Este estado de coisas está na base daquilo a que chamamos hipocrisia ...e os campos de "batalha" das vidas é o dinheiro e as armas são escolhidas as adequadamente fornecidas ... Pergunto-me? porque razão as tarefas mais altruístas que são as mais mal pagas?
    Como podem alcançar o potencial sem o basearem na destruição do potencial dos outros? É caso para comentar ... é necessário um guia para os perplexos ... dada a perplexidade das coisas mundanas e do Mundo cada vez mais complexo e que nos espanta ...
    Marluz | 20.05.2011 | 16.07Hver comentário denunciado
  • A militância política até deve abolir a presunção da inocência não é Maria Louraço?
    Sobretudo dos que não são da nossa cor, política e dermatológica ...
    Hipocrisia | 20.05.2011 | 15.10Hdenunciar comentário
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  • DSK não faz parte do mesmo sistema que causou a ruína dos países onde houve intervenção do MFI.Só pelo facto de ser socialista deixa de ser suspeito? A alegada vítima é à partida corrupta por ser uma imigrante do Bronx?A militância política não pode aprisionar a inteligência e a seriedade.
    maria louraço | 20.05.2011 | 12.47Hdenunciar comentário
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  • Concordo com Pio Abreu. A empregada de hotel, como é uma mulher, imigrante, preta, originária de um país miserável como a Guiné-Bissau, está de certeza a mentir.
    KKK | 20.05.2011 | 12.08Hdenunciar comentário
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  • Há comentadores que não percebem que é pelo facto dos crimes serem hediondos que aparecem nos jornais.
    A crónica é excelente, mas falta acrescentar que caminhamos a passos largos para o fim de uma civilização.
    anónimo | 20.05.2011 | 09.28Hdenunciar comentário
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  • Caro doutor, tem razão em muito do que afirma. No entanto, sou daqueles que entendo que ninguém deve ter contemplações por determinado tipo de crimes, entre os quais este. Os poderosos têm vindo a ser impunes e continuá-lo-ão a ser. Nenhum comum cidadão teria prisão domiciliária como este "Kão". Registe-se que, aqui, o dinheiro continua a mandar. Se transportarmos este caso para tantos e tantos outros pelo mundo e pelo nosso país, a situação repete-se: a (in)justiça faz-se com dinheiro. Repugna-me isto! A sociedade deve livrar-se dos criminosos, sejam eles quais forem. Ainda bem que este caso aconteceu nos STATES porque se fosse na Europa, passara ao lado. Veja-se o Berlusconi, o grande mafioso da actualidade. E, como sempre, vejo defender os direitos dos criminosos e nunca o das vítimas. Tantos e tantos crimes se cometeram e cometem diariamente neste país e quantos dos poderosos estão no xadrez!? Se a justiça fosse justiça, Portugal não estaria a viver uma crise tão acentuada e muitos dos políticos, em vez de estarem na Assembleia da República, estariam presos. O mesmo diria das empresas públicas ou privadas criadas por e para políticos. Uma única lei resolveria parte do problema: prisão dura e efectiva para todos os crimes. Seria, ainda mais radical: acabaria com toda a defesa assente em advogados e substituí-los-ia por defensores oficiosos. Como todos sabemos, a maioria dos escritórios de advogados, são verdadeiros antros de crime onde se constroem múltiplos cenários e nunca os do crime real. E depois, temos o paradoxo de poder prestar todo o tipo de depoimentos e só serem considerados os feitos em sede de juízo. Então, para quê a perda de tempo em inquéritos? Valha-me Santa "Justa".
    Fifi | 20.05.2011 | 08.41Hver comentário denunciado
  • E quem disse . . . !
    Que a psicologia . . . !
    Das "malguinhas" . . . !
    É o "cerne" . . . !
    Da humanidade . . . ? !
    Por acaso não foi . . . !
    O Albino Forjaz Sampaio . . . ? !
    alexandre barreira | 20.05.2011 | 07.36Hdenunciar comentário
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