Nortada
O FC Porto e o Sporting de Braga numa inédita e portuguesíssima final europeia. Coincidência? O FC Porto e o Vitória de Guimarães na decisão da Taça de Portugal. Coincidência? O Paços de Ferreira na final da Taça da Liga.
Coincidência? Duas equipas nortenhas promovidas à I Liga. Coincidência?A coincidência responde pelo nome de Norte, a coincidência responde por uma cultura competitiva diferente, mais adequada, mais rigorosa, mais aguerrida. Trata-se de uma cultura competitiva mais… competitiva.
Tempos houve em que o sucesso do futebol nortenho se dizia associado ao desenvolvimento e à riqueza financeira da região. O entendimento até que não era desprezível, mas na paisagem da actualidade perdeu valimento.No Norte sabe-se mais de bola? Essa é que é essa. Sabe-se mesmo e, sobretudo, empresta-se mais dedicação à causa do futebol.
A Sul, com raras excepções, a cultura do desprendimento hipoteca objectivos. Que se tem passado com o Sporting ao longo dos anos? Que se tem passado com o Belenenses? Com outros emblemas desportivos prestigiados da praça nacional?
No Benfica também foi assim ao longo de temporadas a fio. Só a grandeza do clube permitiu disfarçar um pouco tanta imperfeição, tanta negligência, tanta incúria. O Benfica mudou? Ainda não o bastante, mas Luís Filipe Vieira, mais a sua cultura operária, procura transformar o gigante aristocrático num baluarte de abnegação. Ainda subsistem resquícios do passado, reconhecidos até pelo próprio líder, mas também há sintomas de mudança.
E só dessa forma o Benfica poderá rivalizar com o incansável apego nortenho ao móbil do sucesso no universo da bola doméstica. O Norte continua acordado, joga à bola sem parança. Em Lisboa, não raro, adormece-se. São golos que se trocam por egos. São golos que se trocam por vaidades. São golos que se trocam por vanglórias. São golos que se trocam por desilusões.




