Mesquinhez
Pessoas normais falam sobre coisas, pessoas inteligentes falam sobre ideias, pessoas mesquinhas falam sobre outras pessoas.» Esta frase, atribuída a Platão, corre nas redes sociais e reúne um consenso razoável. Eu também concordo.
Na verdade, tenho saudades do tempo em que se discutiam ideias. Ideias pensadas, escritas, lidas, faladas, ouvidas, argumentadas, criticadas, mas sempre ideias com alguma coerência e projectadas no futuro. Até tenho saudades das campanhas eleitorais em que se propunham ideias sem protagonistas.
Nesta campanha eleitoral só se discutem pessoas. Como se dizia noutros tempos, caiu-se na falácia dos argumentos ad-hominem. Já nem os partidos interessam, os programas muito menos, as ideias são coisas avulsas. Aliás, já todos esqueceram a crise do sub-prime e a queda do Lehman Brothers. Ninguém repara que a Europa é incompetente para travar o ataque especulativo à sua moeda e que a Grécia, aqui ao lado, se está a transformar na pedra que afundará o sonho de uma comunidade europeia.
Com tanto ruído na paróquia, ninguém já consegue olhar para fora. Tudo se resume a saber quem foi o paroquiano que nos afundou e qual a pessoa que nos vai salvar. A salvação até está escrita e assinada, mas aguarda por calendas. O que entretanto se vê é o espectáculo dos vizinhos desentendidos na catalogação de santos e vilões. No fundo, só falam de pessoas. Se concordamos com a máxima de Platão, deixaram a inteligência de lado para abraçar a mesquinhez.






9 comentários
Pois eu penso que na actual conjuntura política, os líderes do PSD e do CDS (aqueles que vão ganhar alguma coisa e vão dar a ganhar muito mais a quem neles investiu) não são nada mesquinhos. Estão a dar a cara mas os seus amigos da banca, dos pareceres, das administrações de empresas públicas, ..., é que vão ganhar mais com privatizações de universidades, escolas (e há algumas que dão tão boas urbanizações), hospitais (que sem bom serviço público vão passar a ser o melhor negócio privado do país), centros de saúde ...
Eles são é muito altruistas partilham e dão a parte maior aos seus amigos que os mantiveram tantos anos como superboys no seu jornal e numa administração de uma empresa mais ou menos fantasma ... como aquelas do BPN.
A verdade tornou-se esquiva e sem verdade ou a sua procura, não se assertam ideias nem a debate digno desse nome.
Esta a fraqueza dos homens cujo resultado é falar-se das pessoas em vez das ideias, que ninguém percebe e ninguém está disposta a levá-las por diante.Quando os comentadores dizem, que este ganhou o debate e foi "mais assertivo",mostrou mais "à vontade","estava mais bem preparado",estão na verdade a defender os interesses que favorecem o patrão que lhes paga,e a tentar destruir o que se lhe opõe.No fundo ao discutirem pessoas mediáticas, discutem de facto ideias que consubstanciam os interesses, de quem os sustenta.
- Quando há os debates ... a primeira questão levantada é Quem ganhou os debates? e não quem debateu as melhores ideias?
- Pergunta-se quem se esfolou mais? Houve muitas Tricas?...
- A pobreza no panorama nos políticos e da política ... Sempre os mesmos...
- A sede de permanecer no poder - A fome de poder
- A comunicação Social, Tv que monopolizam sempre os mesmo para falar.. temos opiniões restritas enquanto comunicação localizada...mas isto também advém da pretensão de angariar mais publicidade, bem como as audiências... Uma campanha onde a genialidade das ideias dá lugar a ideias obtusas, algumas cenas de hilário parecendo um jogo de brincadeira num panorama muito sério e complicado e o pensamento principal que nos fica é: O povo no cenário geral, foi, é e será sempre o pano de fundo SECUNDÁRIO...bem como o Bem comum da Nação...
Caro JLPA . . . !
Andamos sempre a aprender . . . !
Nem sabia que . . . !
No tempo do Platão . . . !
Já existiam "malguinhas" . . . !
Há cada coisa . . . ! ! ! !