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OPINIÃO

Mesquinhez

26 | 05 | 2011   19.46H
J.L. Pio Abreu

Pessoas normais falam sobre coisas, pessoas inteligentes falam sobre ideias, pessoas mesquinhas falam sobre outras pessoas.» Esta frase, atribuída a Platão, corre nas redes sociais e reúne um consenso razoável. Eu também concordo.

Na verdade, tenho saudades do tempo em que se discutiam ideias. Ideias pensadas, escritas, lidas, faladas, ouvidas, argumentadas, criticadas, mas sempre ideias com alguma coerência e projectadas no futuro. Até tenho saudades das campanhas eleitorais em que se propunham ideias sem protagonistas.

Nesta campanha eleitoral só se discutem pessoas. Como se dizia noutros tempos, caiu-se na falácia dos argumentos ad-hominem. Já nem os partidos interessam, os programas muito menos, as ideias são coisas avulsas. Aliás, já todos esqueceram a crise do sub-prime e a queda do Lehman Brothers. Ninguém repara que a Europa é incompetente para travar o ataque especulativo à sua moeda e que a Grécia, aqui ao lado, se está a transformar na pedra que afundará o sonho de uma comunidade europeia.

Com tanto ruído na paróquia, ninguém já consegue olhar para fora. Tudo se resume a saber quem foi o paroquiano que nos afundou e qual a pessoa que nos vai salvar. A salvação até está escrita e assinada, mas aguarda por calendas. O que entretanto se vê é o espectáculo dos vizinhos desentendidos na catalogação de santos e vilões. No fundo, só falam de pessoas. Se concordamos com a máxima de Platão, deixaram a inteligência de lado para abraçar a mesquinhez.

© Destak

9 comentários

  • A mesquinhez não se esgota no avaro,pobre ou desgraçado!O seu significado é muito mais abrangente,para além da partilha de ideias:podem atingir o próprio âmago das ideias.Foi isso parece-me que o Pio quis dizer.Por exemplo:ser mesquinho pode ser também aquele que não é capaz de ver além da face e da coroa do euro.É que há valores mais amplos e abrangentes que uma quintinha ou uns PPR no Banco, guardados.Mesquinho é aquele que não vê para além disso!Por exemplo as pratas e os anéis da família...
    Piff-Paff | 02.06.2011 | 21.54Hver comentário denunciado
  • 6 anos. Seis anos foi o tempo suficiente para se ter evitado tanta coisa, mas não, a mentira, a vaidade, o engano e a sedução das massas vingaram. os próximos 6 anos irão ser seguramente de tormenta e o sresponsáveis estão encontrados.
    Dias | 02.06.2011 | 18.32Hdenunciar comentário
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  • Consultei o dicionário da Texto editora que me diz ser a palavra mesquinho sinónimo de avarento, pobre, desgraçado. Lamento discordar dos presumivelmente doutos autores do dito dicionário. Entendo como mesquinho aquele que é incapaz de dar ou partilhar com os outros, não estar aberto a ideias de generosidade no plano dos saberes e da sociedade, etc., etc.
    Pois eu penso que na actual conjuntura política, os líderes do PSD e do CDS (aqueles que vão ganhar alguma coisa e vão dar a ganhar muito mais a quem neles investiu) não são nada mesquinhos. Estão a dar a cara mas os seus amigos da banca, dos pareceres, das administrações de empresas públicas, ..., é que vão ganhar mais com privatizações de universidades, escolas (e há algumas que dão tão boas urbanizações), hospitais (que sem bom serviço público vão passar a ser o melhor negócio privado do país), centros de saúde ...
    Eles são é muito altruistas partilham e dão a parte maior aos seus amigos que os mantiveram tantos anos como superboys no seu jornal e numa administração de uma empresa mais ou menos fantasma ... como aquelas do BPN.
    Manuel Tavares | 30.05.2011 | 20.39Hdenunciar comentário
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  • O que Platão sabia e disse dá para pensar,sobretudo quando as frases são tão simplesmente evidentes na justa medida, que ainda que não fossem do nosso conhecimento,pensamos:mas como ainda não me tinha lembrado disto?Ou então:era esta definição que me faltava para resumir, o que já há muito queria dizer.Frases quase lapidares.Mas a verdade,é que neste caldo que é a cultura de massas,o que é dito pelo bem amado é verdade e oportuno dizer-se e a mesmíssima coisa dita pelo "belzebu" é repudiada e tornada na mais infame mentira.
    A verdade tornou-se esquiva e sem verdade ou a sua procura, não se assertam ideias nem a debate digno desse nome.
    Esta a fraqueza dos homens cujo resultado é falar-se das pessoas em vez das ideias, que ninguém percebe e ninguém está disposta a levá-las por diante.Quando os comentadores dizem, que este ganhou o debate e foi "mais assertivo",mostrou mais "à vontade","estava mais bem preparado",estão na verdade a defender os interesses que favorecem o patrão que lhes paga,e a tentar destruir o que se lhe opõe.No fundo ao discutirem pessoas mediáticas, discutem de facto ideias que consubstanciam os interesses, de quem os sustenta.
    O Senhor Comentador | 30.05.2011 | 07.53Hdenunciar comentário
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  • Eu diria que gente mesquinha só sabe falar de pessoas; gente normal só sabe falar de pessoas e de coisas; gente inteligente sabe falar de pessoas, de coisas e de ideias, reservando a maior parte às ideias. Olhem para este mesmo jornal, e para a maioria dos outros jornais, e TVs e etc, e o que é que vêem? Quais as mensagens? De que é que eles falam? Agora imaginem uma população de milhões a quem foi colocado diariamente frente aos olhos jornais como estes, e como outros, e televisões. No mínimo, 25 anos de lavagem cerebral diária, meus caros! Estavam à espera de quê? De criar pessoas inteligentes, normais, ou mesquinhas? As poucas pessoas inteligentes que subsistem a tamanho atentado são aquelas que se aperceberam dessa lavagem cerebral e se desviaram dela. O grande mar pertence cada vez mais à mesquinhez, que é precisamente o mar de escravos de quem controla os jornais, as televisões, as revistas, as editoras, os bancos, e indirectamente os governos: não na forma de presidentes, mas na de vice-presidentes; não na forma de directores, mas de sub-directores ou conselheiros; não na forma de instituição do Estado, mas na forma de instituição privada-ligada-ao-Estado. A nossa "democracia" é hoje uma maçã cheia de bichos à qual se tenta a todo o custo dar lustro. É urgente que a normalidade que para aí lavra se transforme rapidamente em inteligência. É urgente que essa inteligência analise o problema, descubra os responsáveis, os retire com uma pinça da maçã e os mostre a espernear a toda gente enfiando-os depois num fraco com clorofórmio para serem expostos num museu, para as gerações futuras. E deixar que a maçã com o tempo retorne à sua saúde original. Não nos iludamos que o assunto possui em si mesmo os contornos de uma praga. Ou se acaba com os bichos ou eles acabam com as maçãs.
    ZOOM-IN | 27.05.2011 | 11.53Hdenunciar comentário
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  • Mais um excelente artigo que nos dá muitas ideias para comentar e a principal para mim é a de uma Nação ao fim de tantos Processos eleitorais ainda não amadureceu e clarificou as ideias para melhorar o interesse Nacional... Esta mesquinhez deve-se a muitos factores ... não somente a casos isolados e a ter em conta:
    - Quando há os debates ... a primeira questão levantada é Quem ganhou os debates? e não quem debateu as melhores ideias?
    - Pergunta-se quem se esfolou mais? Houve muitas Tricas?...
    - A pobreza no panorama nos políticos e da política ... Sempre os mesmos...
    - A sede de permanecer no poder - A fome de poder
    - A comunicação Social, Tv que monopolizam sempre os mesmo para falar.. temos opiniões restritas enquanto comunicação localizada...mas isto também advém da pretensão de angariar mais publicidade, bem como as audiências... Uma campanha onde a genialidade das ideias dá lugar a ideias obtusas, algumas cenas de hilário parecendo um jogo de brincadeira num panorama muito sério e complicado e o pensamento principal que nos fica é: O povo no cenário geral, foi, é e será sempre o pano de fundo SECUNDÁRIO...bem como o Bem comum da Nação...
    Marluz | 27.05.2011 | 10.49Hdenunciar comentário
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  • Doutor, vejo tanta coisa atribuida a Platão, Sócrates, Aristóteles.... Li todos eles e nunca confirmei a maioria dos pensamentos que que se lhes atribuem. Mas a ideia vale por si, pelo simples facto de todos nós termos ideias e ninguém nos houve. Trata-se, assim, de uma forma de nos fazermos ouvir, atribuindo a celebridades determinados pensamentos. O que acho mais curioso é, por tudo e por nada, invocarmos estes clássicos. Não haverá ou não terá havido outros seres pensantes, depois deles? Claro que há e, um deles previu esta crise e a falência deste sistema. Apesar de tudo, não deixo de concordar com V. Ex.cia, na medida em que as ideologias se esfumaram e hoje se discutem personalidades. Não será esta opção ou este culto da personalidade uma nova forma de ditadura? Lembro que foi assim que todas as outras começaram e, igualmente, a partir de crises sociais e ou económicas. Tenho para mim que as ideologias se esgotaram porque nenhuma é compatível com a igualdade de classes nem com a ostentação e a opulência das classes dominantes. O que muitos economistas apontam como solução é o regresso à idade média: clero, nobreza e povo ou, talvez, só estas duas últimas. Todos eles são defensores da mesma terapia: aumento de impostos, redução salarial e perda de regalias sociais. Por acaso, o desenvolvimento de uma sociedade não passará pelo inverso disto!? Tenho para mim que sim , mas tal pressupõe substanciais aumentos de produtividade. Aqui reside a grande questão: é preciso produzir mais e mais e mais.... E para isso, quer o nosso tecido empresarial quer o povo não estão muito motivados ou não dispõem de recursos para tal. Esta ajuda internacional é uma falsa ajuda, no que se refere ao desenvolvimento do país. Não estão a dar-nos a cana para pescar, mas sim a permitir que os grandes especuladores não percam todo o seu dinheiro. Uma ajuda desta natureza deveria visar um plano de desenvolvimento e de criação de riqueza, a médio e longo prazo. O pacote que nos impuseram foi uma espécie de pistola apontada à cabeça de um devedor. Ora, os nossos políticos deveriam esclarecer o povo sobre estas questões e indicar formas de nos regenerarmos e recuperarmos desta crise crónica e sistémica. No entanto, ao invés, tentam ludibriar o povo e impor a cartilha dos grandes senhores. Quem me dera que voltassem: o D. Sancho I, o D. Dinis e o D. Fernando !
    FIFI | 27.05.2011 | 08.12Hdenunciar comentário
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  • Veja lá . . . !
    Caro JLPA . . . !
    Andamos sempre a aprender . . . !
    Nem sabia que . . . !
    No tempo do Platão . . . !
    Já existiam "malguinhas" . . . !
    Há cada coisa . . . ! ! ! !
    alexandre barreira | 27.05.2011 | 07.05Hver comentário denunciado
  • Platão (e todos que citam a referida) no expoente máximo da incoerência...
    Sérgio | 27.05.2011 | 04.07Hdenunciar comentário
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